De vendedor de picolé em nova Venécia a ídolo no Watford/ING

Comente
CARRINHO-MALUCO
111 12227650_924401994280242_7856840745081785682_n
richarlison-45034d38123cf47fc1f1af8ddc45c792

Hoje, aos 21 anos, o atacante do Watford/ING, que passou por Real Noroeste, América/MG e Fluminense, desperta interesse de gigantes como Arsenal, Chelsea e Tottenham.

Dos 12 aos 15 anos, Richarlison vendia bombons feitos pela tia e picolés de uma sorveteria de Nova Venécia, cidade no Norte do Espírito Santo. Às vezes chegava em casa só com R$ 2, dinheiro que gastava na lan house, no videogame com amigos.

 

Com cinco gols e três assistências em 41 jogos pelo time inglês, onde é um dos ídolos, Richarlison foi eleito o melhor jogador jovem (até 23 anos) pelo próprio clube, na temporada 2017/2018.

O capixaba, que já participou da seleção brasileira sub-20, ouviu elogios do técnico Tite e, em entrevista ao jornal A Tribuna, revelou o sonho em vestir a camisa da equipe principal.

“Rolou uma expectativa da convocação (para a Copa do Mundo)”, disse o jogador, que curte férias.

Tribuna Online – Quando começou a entender um pouco mais como é o futebol inglês, o que mudou dentro de campo para você?
Richarlison – Lá é um futebol de 90 minutos de muita pegada e exige muito da parte física. Então, quem joga na Inglaterra tem que estar preparado. O treinamento de lá é como se fosse um jogo aqui no Brasil. São duas horas de treino e os caras não param. Tem que ficar correndo o tempo todo (risos). Mas eu estou feliz de representar o meu Estado, e só tenho a crescer lá.

Vale muito mais essa correria em campo do que para vender picolé e jogar videogame…

(Risos) Com certeza, né? Na época isso aí era minha alegria, ir para a lan house jogar Bomba Patch com meus amigos. Quando eu tinha dinheiro eu pagava e quando não tinha pagavam para mim. Agora tenho meu videogame em casa, posso levar meus amigos para jogar e é só felicidade. Vou comprar a sorveteria inteira e mandar o dono sair para vender (picolé) só para ele ver se é bom (risos).

Qual jogador você gostava mais no videogame e teve a chance de enfrentar esta temporada?

Jogava muito com o Ibrahimovic, né? No videogame ele é muito forte e é difícil um jogador segurar. Quando vi ele entrando (em jogo entre Watford e Manchester United) até pensei em trocar a camisa, só que outro companheiro já tinha pedido e não deu tempo de pegar.

Como o goleiro Gomes (ex-Cruzeiro e Seleção Brasileira) tem sido importante desde a chegada ao Watford/ING?

É tipo um pai para mim lá na Inglaterra. Não sabia falar inglês e ele me ajudava em tudo. Arrumou casa e carro para mim e, durante os treinamentos, o que eu não entendia perguntava e ele me explicava tudo. O Gomes me ajudou muito na adaptação lá na Inglaterra, para conversar com meus companheiros. Alguns até entendem minha mistura de espanhol com português (risos).

Já está dirigindo na Inglaterra?

Comecei a fazer aula tem pouco tempo. Fiz umas 10 aulas para tirar a carteira e não precisar de ninguém para me levar ao treino. Às vezes quero sair na cidade e preciso de uma pessoa, e ela está ocupada. Então quero depender só de mim mesmo. Lá é ao contrário (o motorista fica do lado direito do carro), e por isso é um pouco mais difícil (risos).

Como tem se adaptado a jogar com temperaturas até negativas em algumas ocasiões?

O que mais pegou mesmo lá foi o frio, não estava acostumado e foi um pouco puxado. Muitos falavam para colocar sacola dentro da chuteira, mas não cheguei a usar (risos). Mas, não consigo jogar assim, gosto que meu pé fique solto dentro da chuteira. Essa parte foi um pouco difícil, mas comecei a jogar de luva para proteger as mãos. Aos poucos o frio foi passando e deu para me adaptar (risos).

O técnico Givanildo Oliveira ficou surpreso com você em um treino, quando ainda estava na base no América/MG. Como o treinador foi importante na sua evolução?

Fui completar o time em um treino e era coletivo. Dei uma arrancada do meio-campo, que até saiu o gol. Ele ficou louco, me levou para o jogo. Logo na minha estreia ele me deu oportunidade e eu entrei, marquei o gol com 10 minutos que eu estava no jogo (na vitória por 3 a 1 sobre o Mogi Mirim pela Segundona do Brasileiro em 2015). Fui muito feliz naquela noite. Nunca vou me esquecer da primeira vez que marquei um gol.

Essa velocidade já era uma característica que você tinha desde garoto?

Desde a escolinha era assim. E fui evoluindo e estou conseguindo fazer isso no profissional.

Tem acompanhado o futebol brasileiro?

Coloquei TV brasileira lá em casa só por causa disso, para acompanhar os jogos. América/MG e Fluminense estão bem. O América/MG conseguiu manter o time do ano passado, que foi campeão da Série B e está aí arrebentando na Série A. O Fluminense também, tanto que é vice-líder.
No dia da convocação, você assistiu e tinha uma pontinha de esperança em ser chamado para a Copa do Mundo?

Com certeza, sempre tem uma esperança, até porque estou jogando uma das ligas mais difíceis do mundo. E eu vinha jogando bem. Então, rolou sim uma expectativa de convocação. Fiquei assistindo, mas fiquei muito feliz também por quem estará representando o nosso País.

Para quem está com saudades do calor, Copa do Mundo no Catar – onde a temperatura costuma variar entre 40ºC e 50ºC – é a grande chance…
Estarei um pouco mais maduro e espero estar lá.

12311101_932419773478464_1231929020317032740_n
111 12227650_924401994280242_7856840745081785682_n

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *