Fotos indicam amizade entre piloto suspeito de envolvimento com tráfico e ex-coronel da PM de SP

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Imagens circulam em redes sociais de pilotos. Filha de oficial tinha aberto empresa com piloto preso em Goiás.


Por César Galvão, TV Globo

Fotos mostram que piloto preso e coronel da PM tinham relação próxima

Fotos que circulam nas redes sociais de pilotos indicam uma relação de amizade entre o piloto Felipe Ramos Morais, preso no começo da semana em Goiás suspeito de envolvimento com morte de chefes do tráfico, e o tenente-coronel Edson Luiz Gaspar, ex-comandante do Grupamento Aéreo da Policia Militar de São Paulo e hoje aposentado e na reserva da corporação.

Na quarta-feira (16), reportagem da GloboNews mostrou que a filha do oficial da PM, Tamires Correa Gaspar, abriu em sociedade com Felipe uma empresa em 2008, a G. F. Assessoria Aeronáutica Ltda.

Coronel (à direita, sem camisa) posa com piloto durante churrasco (Foto: Redes sociais) Coronel (à direita, sem camisa) posa com piloto durante churrasco (Foto: Redes sociais)

Coronel (à direita, sem camisa) posa com piloto durante churrasco (Foto: Redes sociais)

Por causa das reportagens publicadas sobre o caso, o promotor Marcelo Milani pediu ao Ministério Público (MP) para investigar o coronel por possível prática de improbidade administrativa. A defesa do coronel disse que não vai se manifestar porque não tem informação de nenhuma investigação do MP.

Fotos mostram relação de amizade entre coronel e piloto preso em Goiás

Fotos mostram relação de amizade entre coronel e piloto preso em Goiás

Piloto Felipe Ramos ao lado do coronel em helicóptero (Foto: Redes sociais) Piloto Felipe Ramos ao lado do coronel em helicóptero (Foto: Redes sociais)

Piloto Felipe Ramos ao lado do coronel em helicóptero (Foto: Redes sociais)

As imagens que circulam nas redes sociais mostram Gaspar ao lado do piloto em cinco situações: num passeio de barco, num churrasco à beira mar, em um restaurante, e dentro e fora de um helicóptero apreendido pela Polícia Civil paulista.

Coronel e o piloto Felipe Ramos Morais almoçam juntos (Foto: Redes sociais) Coronel e o piloto Felipe Ramos Morais almoçam juntos (Foto: Redes sociais)

Coronel e o piloto Felipe Ramos Morais almoçam juntos (Foto: Redes sociais)

Procurado pela reportagem nesta quinta-feira, o coronel Edson Luiz Gaspar falou, pelo interfone de seu apartamento, que já teve a vida investigada e não quer falar. “Eu já fui na Corregedoria da PM, eu me apresentei espontaneamente em fevereiro. Já fui na Corregedoria da PM, já investigaram toda a minha vida. Já fui no Deic, já me apresentei pra todo lugar. Então, não quero falar.”

Coronel Edson Luiz Gaspar posa ao lado de helicóptero de Felipe Ramos; aeronave foi apreendida (Foto: Redes sociais) Coronel Edson Luiz Gaspar posa ao lado de helicóptero de Felipe Ramos; aeronave foi apreendida (Foto: Redes sociais)

Coronel Edson Luiz Gaspar posa ao lado de helicóptero de Felipe Ramos; aeronave foi apreendida (Foto: Redes sociais)

Felipe era sócio e administrador. A filha do coronel assinava apenas como sócia – na época, ela tinha 19 anos. De acordo com o registro na Junta Comercial de São Paulo, em março do ano passado, Felipe foi retirado da sociedade e o coronel Gaspar, agora aposentado, entrou no lugar dele.

Os dois ficaram amigos numa rede social em março de 2012. Quatro meses depois, Felipe foi preso com 173 kg de pasta base de cocaína neste helicóptero. Ele era investigado também por ter participado da morte de dois chefes da facção criminosa de São Paulo, Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Felipe Ramos e coronal da PM em helicóptero (Foto: Redes sociais) Felipe Ramos e coronal da PM em helicóptero (Foto: Redes sociais)

Felipe Ramos e coronal da PM em helicóptero (Foto: Redes sociais

As iniciais G e F, da G. F. Assessoria Aeronáutica, também aparecem em outra empresa de Felipe Ramos Morais, que tem quatro helicópteros, dois deles envolvidos no transporte de drogas: G. F. Helicópteros. A mãe e a irmã do piloto têm uma terceira empresa: a G. F. Táxi aéreo.

Empresa liga filha de tenente-coronel da PM a piloto de helicóptero preso

Empresa liga filha de tenente-coronel da PM a piloto de helicóptero preso

A GloboNews conversou por telefone com o Coronel Gaspar sobre a relação dele com o piloto Felipe Ramos Morais.

  • GloboNews – Eu queria falar com o coronel Edson.
  • Edson – É ele, pois não.
  • GloboNews – Oi, coronel, aqui quem tá falando é Victor Ferreira, eu sou repórter da GloboNews. A gente tá fazendo uma reportagem sobre o Felipe Ramos Morais, o senhor conhece ele?
  • Edson – Cara, é assim, eu conheci o Felipe quando ele era adolescente, eu até ajudei ele, conheci a família dele e tudo mais. Hoje, a gente não tem mais relacionamento nenhum. Ele era fã do grupamento aéreo, ele me conheceu fazendo demonstração com o Águia, ele vira e mexe ia no Grupamento, ia lá ver, ele apaixonado por helicópteros, começou a paixão dele com os helicópteros da polícia, como de tantos outros jovens.
  • GloboNews – Entendi.
  • Edson – Eu conheci o Felipe em feira de aviação, ele era fã do grupamento aéreo.
  • GloboNews – O senhor conheceu ele na feira e abriu uma empresa com ele? Não entendi.
  • Edson – Sim, depois a coisa evoluiu, eu conheci ele em feira de aviação, cara.
  • GloboNews – Por que houve essa empresa?
  • Edson – É uma assessoria aeronáutica, cara, só isso, era para fazer voo panorâmico. Estava inativa desde 2008, 2009. Não deu certo o negócio que ele queria fazer, que era para voo panorâmico, não deu certo e ficou inativo, ficou parado.
  • GloboNews – E a sua filha não trabalhava com ele…
  • Edson – Não, não, não.
  • GloboNews – Por que o nome dela estava na empresa?
  • Edson – Porque ele me pediu ajuda, cara, eu só fui tentar ajudar cara, eu só fui tentar ajudar quando ele era um adolescente praticamente.
Fotos indicam que piloto de helicóptero tinha relação com coronel da PM

Fotos indicam que piloto de helicóptero tinha relação com coronel da PM

Na época da abertura da empresa, Felipe tinha 21 anos.

“Não tem nada a ver comigo, cara, eu não tenho nada a ver com essa história. Sabe aquele negócio, tão aproveitando o momento… fala dele, do que aconteceu, do que ele se envolveu, mas p… bicho, eu tenho uma carreira ilibada, fiquei 32 anos na polícia”, disse o coronel.

Mas para Rafael Alcadipani, pesquisador da atividade policial da FGV, que estuda a atividade policial, a relação de um policial militar de alto escalão com um piloto condenado por tráfico de drogas e envolvido com uma facção criminosa de São Paulo é gravíssima.

“O que nós temos de indícios até aqui são gravíssimos, por isso que a gente precisa de uma investigação aprofundada dos órgãos competentes, tanto da Corregedoria da PM que, em geral, é bastante dura nesse tipo de investigação, quanto dos demais órgãos de segurança pública, o Ministério Público”, diz o professor.

“Quando a gente está lidando com pessoas da alta patente da polícia, a coisa vai ficando mais grave, né? Uma coisa é um soldado, outra coisa é um coronel. Uma coisa é uma pessoa que tá na base, outra coisa é uma pessoa que tá na cúpula da polícia.”

Entre março e abril, a polícia de São Paulo já tinha apreendido três helicópteros que são de Felipe Ramos Morais, segundo os delegados, mas estavam em nome de laranjas. Essa semana, a GloboNews revelou outros cinco helicópteros registrados no nome de empresas do piloto, três deles estão com a documentação em dia para voar.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) diz que o Departamento de Investigações Criminais (Deic) está apurando a relação entre o piloto Felipe Ramos Morais e o Coronel Gaspar.

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