Mães detentas sonham com vida nova junto com filhos no ES

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Por Fabíola de Paula, G1 ES e TV Gazeta

Mães detentas sonham com vida nova junto com filhos no ES

Reprodução/TV Gazeta

No Espírito Santo, 1.280 mulheres estão presas nos quatro presídios femininos do Estado: a maioria é composta por mães, muitas cumprem a pena grávidas. A reportagem ouviu a história de quatro internas do Centro Prisional Feminino de Cariacica: Cassiely, Gabriela, Izabel e Daniela, mães que em comum têm a vontade de deixar a vida de crimes para trás para criar os filhos com dignidade.

A interna Izabel Cristina Moura, de 35 anos, é mãe de três filhos e foi presa quando estava grávida. O mais novo ficou com ela até os seis meses de vida e há nove os dois se separaram. Isso porque o presídio feminino de Cariacica não tem uma estrutura de creche, apenas um alojamento materno-infantil.

“É uma emoção muito grande, porque meu filho tem 9 meses que foi embora, então a gente sofre um pouco. A gente fica pensando a todo momento o que será que ele tá fazendo uma hora dessas, com quem ele está, se estão tomando conta direitinho”, desabafou.

O que ela está passando, outras também vão passar. São presas que estão grávidas ou que já tiveram os bebês, como a Daniela e a Cassiely.

“É o meu primeiro filho e eu fiz muitos planos pra ele, mas sei que Deus vai realizar melhor do que eu fiz”, acredita a interna Cassiely Lírio Camilo, de 25 anos, que ainda tem o filho junto com ela no presídio.

A detenta Daniela Cardoso Fernandes, de 35 anos, tem cinco filhos. A caçula, por enquanto, vive com ela no centro prisional. Ela conta que ainda prefere não pensar em quando tiver que se separar da filha.

“Não quero sofrer por antecedência. Eu acredito que Deus possa fazer um milagre ou me dar forças para aguentar”, desabafou.

Daniela diz que prefere não pensar no momento em que vai precisar se separar da filha — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Daniela diz que prefere não pensar no momento em que vai precisar se separar da filha — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Tráfico

A maioria dessas mulheres acaba atrás das grades por causa do tráfico de drogas. Izabel explicou o que a levou ao crime.

“Situações financeiras. Estava difícil arrumar emprego, então foi a única maneira que nós achamos de conseguir dinheiro”, contou a detenta, que é mãe de três filhos que estão fora do presídio.

Izabel se emociona ao lembrar dos filhos — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Izabel se emociona ao lembrar dos filhos — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Cassiely acredita que a falta de maturidade contribuiu para o envolvimento com o tráfico. “Eu tinha 17 anos, queria curtir, casei cedo, achava que o meio de ganhar dinheiro era tá ali vendendo droga. Mas hoje não é isso que eu quero pra mim”, falou.

A realidade delas é diferente da dos homens presos. Poucas recebem visitas dos companheiros, ou porque morreram, como o marido da Izabel, ou estão presos como os maridos da Cassiely e da Daniela.

Para elas, o que resta é sonhar e recomeçar ao lado dos filhos. “Agora eu penso totalmente diferente. Eu converso muito com os meu filhos, pois a idade que eles estão me preocupa muito. Tenho um filho de 16 anos, a idade que eu entrei para o tráfico. Eu penso muito neles, estou há sete anos fora e ainda não sei como recomeçar, mas sei que quero provar pra eles que sou capaz”, falou a interna Gabriela Felizardo Costa, de 36 anos.

“Quando eu sair, vai ser diferente, muito diferente. Tudo o que eu aprendi aqui, vou levar para a minha vida toda. Vou ensinar para o meu filho. Eu não preciso de drogas pra ter dinheiro, preciso ser honesta e trabalhar, pois agora eu tenho um filho pra cuidar. Eles presenciam e querem fazer a mesma coisa. Deus me livre, nem penso, eu quero ter um futuro e dar para ele o que eu não tive”, planeja Cassiely.

Oportunidade de trabalho: recomeço

O Centro Prisional Feminino de Cariacica tem uma fábrica de calçados infantis, além de serem oferecidos cursos. Oportunidades de aprendizado e também redução de pena.

“Nós temos hoje 530 presas, aproximadamente, na unidade. Dessas 530, 200 têm trabalho fixo, tanto remunerado como não remunerado, e até trabalho externo”, explicou a diretora do presídio, Graciele Sonegheti Fraga.

Na fábrica, elas tem remissão da pena e salário: cada três dias de trabalho, é menos um dia na prisão. O salário da Gabriela vai para a tia, que cuida dos dois filhos dela.

“É um meio de mudar de vida lá fora, uma oportunidade única, é um meio de ter como recomeçar, ressocializar. Eu busca a mudança e ela tem que vir de mim”, finalizou.

Para Gabriela, a oportunidade de trabalho no presídio é um recomeço — Foto: Reprodução/TV GazetaPara Gabriela, a oportunidade de trabalho no presídio é um recomeço — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Para Gabriela, a oportunidade de trabalho no presídio é um recomeço — Foto: Reprodução/TV Gazeta