Uso de drones cresce dentro de vários segmentos empresariais

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CARRINHO-MALUCO
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A Amazon começou os testes do projeto Prime Air em 2016. Por enquanto, a empresa consegue transportar produtos de até 2,27 kg (Amazon/Divulgação)

Nos Estados Unidos, o equipamento está sendo testado para realizar entregas; na China, o governo quer criar um drone para o transporte de passageiros. Desde que aterrissaram no Brasil em 2013, os drones provaram ser um equipamento capaz de atuar em várias frentes: na segurançaagriculturaentrega de produtos. São mais de 34.000 equipamentos no país, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – o número refere-se à quantidade de drones registrados de acordo com a regulamentação do setor.

Ainda assim, a quantidade de equipamentos pode ultrapassar os 100.000, entre os de uso recreativo e profissional, afirma o diretor do DroneShow, Emerson Granemann. “O mercado começou a crescer com o investimento de empresários e investidores privados. Daqui a dois ou três anos, a tecnologia vai baratear bastante e popularizar seu uso”.

Segundo Granemann, 40% dos drones no Brasil são utilizados na agricultura – é o setor que mais conta com o apoio da tecnologia. Na sequência, aparecem a área de inspeções, que inclui a construção de prédios, e o setor de segurança.

“Na agricultura, os drones podem detectar falhas ou problemas nas plantações. Ele não só faz fotos, mas também consegue coletar dados em 3D”, disse o diretor da DroneShow. “O mercado de drones é bem forte. Em 2016, movimentava 200 milhões de reais no Brasil. Com certeza, esse número já dobrou”.

Sem o empecilho financeiro, o mercado deve manter a curva de expansão, que vem desenhando-se desde a iminência de uma regulamentação para o uso de drones no Brasil em 2015. No cenário global, o mercado de drones movimenta 127 bilhões de dólares (cerca de 457,2 bilhões de reais). No Brasil, a tecnologia é mais usada para potencializar a produtividade de empresas do que como hobby, segundo o sócio da PwC Brasil, Tomás Roque.

“Focamos mais na aplicação do drone para resolver determinados problemas, como a manutenção de asfaltos, mapeamento de terrenos e grandes obras”, disse. “Quando pensamos em pragas de plantação de cana-de-açúcar, por exemplo, o drone pode ajudar a localizar o problema e jogar o veneno só onde precisa. Isso evita o uso do trator, que espalha o agente biológico até onde não precisa”.

A popularização do equipamento para uso recreativo também deve crescer. “A tendência é que ele possa ser até um acessório de celular para fazer selfies, por exemplo. Assim, a pessoa não tem que estender o braço. Já existem drones pequenos que fazem esse trabalho”, diz Roque.

A expectativa é que o equipamento faça parte da vida cotidiana. A Amazon é uma das empresas investindo na tecnologia para otimizar o processo de entrega dos produtos – a ideia é diminuir o tempo de espera dos consumidores para até 30 minutos.

“Os drones para entregas já são algo possível. Agora, é preciso superar desafios e as regras. A Amazon está tentando fazer isso e quer uma reserva do espaço aéreo para pilotar um drone sem piloto, mas a legislação não permite. Nos Estados Unidos, há grande controle pela questão da segurança e a preocupação com o terrorismo”, afirmou Granemann.

A Amazon começou a testar o serviço de entrega por drones em 2016. O projeto Prime Air consegue transportar produtos de até 2,27 kg – o drone não é suficientemente desenvolvido para enfrentar condições climáticas adversas como chuva e neve. O equipamento ainda conta com a tecnologia “sentir e desviar”, que evita contato físico com objetos no espaço aéreo e no chão.

Ver veículos do Prime Air será tão normal quanto ver caminhões de entrega nas estradas”, diz a Amazon em seu site.

Mas a Amazon está longe de ser a única grande empresa investindo na tecnologia. A Uber quer criar um drone para entrega de comida em San Diego, na Califórnia, Estados Unidos. “Nós precisamos de hambúrgueres voadores”, brincou o CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, durante conferência da Uber em Los Angeles.

A expectativa da empresa é realizar entregas de alimentos no prazo de cinco a 30 minutos. O projeto faz parte de um amplo programa de testes comerciais de drones aprovado pelo governo federal dos Estados Unidos na quarta-feira.

A Apple é outra empresa selecionada para participar dos testes. A companhia estuda usar a tecnologia para melhorar as imagens de seus mapas. Seus primeiros drones vão capturar imagens da Carolina do Norte, em parceria com o Departamento de Transporte do estado. O governo dos Estados Unidos selecionou 10 projetos para os testes – a Amazon não está na lista.

“Algumas empresas testam em países africanos a entrega de medicamento em áreas remotas”, disse Granemann. “Acaba sendo um campo de teste para, no futuro, chegar em países economicamente mais desenvolvidos”.

Uma dessas empresas é a Zipline. Em parceria com o país africano Ruanda, a startup americana distribui remédios e sangue em hospitais de áreas rurais, segundo a BBC. O projeto começou em 2016 – a expectativa era reduzir o tempo de entrega de horas para minutos.

No Brasil, a startup SMX Systems desenvolveu uma tecnologia para a entrega de medicamentos no interior do país e em áreas rurais. O projeto ainda não saiu do papel – o início das atividades deve acontecer nos primeiros meses de 2019.

A ideia surgiu nos Estados Unidos, quando o fundador da SMX, Samuel Salomão, trabalhava em uma empresa de telemedicina. “É um atendimento médico à distância para pacientes que estão longes da cidade. Naquele tempo, os drones começaram a surgir e percebi que poderia ser uma oportunidade para ajudar uma comunidade no Brasil que mora longe dos centros”, comentou ele. “Aqui, são 30 milhões de pessoas em áreas rurais que podem ser beneficiadas”.

Segundo Salomão, os drones vão revolucionar a logística. “Podemos alcançar o sonho da Amazon, de realizar entregas entre 20 e 30 minutos. Acreditamos que vamos chegar lá substituindo a moto, o carro e o caminhão”.

Na China, o drone também propõe aplicações inovadoras. “Lá, os drones vão transportar as pessoas. Os protótipos estão sendo testados, são mais de 40.000 drones em fase de testes”, contou Tomás Roque, da PwC. “Se você pensar no futuro, há um mercado vasto para o uso de drones no Brasil”.

Feira

A quarta edição da DroneShow acontece de 15 a 17 de maio no Centro de Convenções Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569 – Consolação). O evento contará em sua programação com seminários, cursos teóricos e práticos, painéis, além de exposição de produtos de última geração

Drone da empresa chinesa Ehang apresentado durante a CES 2016 Drone da empresa chinesa Ehang apresentado durante a feira de tecnologia CES 2016

Drone da empresa chinesa Ehang apresentado durante a feira de tecnologia CES 2016 (ehang.com/Divulgação/Divulgação)

O governo brasileiro fez uso dos drones durante a Copa do Mundo de 2014. “Os equipamentos foram usados para vigilância, são drones menores. Temos algumas iniciativas, mas voltadas para a segurança”, disse Roque. “No mercado de entrega, estamos um pouco tímidos porque temos cidades muito populosas, como São Paulo, onde o voo de drone é proibido. Ainda assim, temos empresas que estão investindo de forma rápida”.

Ainda segundo o sócio da PwC, é preciso criar condições para o uso de drones. “O problema não é o equipamento estar nas cidades, é o mal uso. Se quisermos usar drones é preciso criar ‘drone ports’ (locais para embarque e desembarque) e regular ainda mais”.

Para ele, a tecnologia não vai acarretar na perda de empregos. “Isso é um tabu. Temos até o potencial de diminuir a quantidade de acidentes de trabalho e ter aproveitamento melhor do funcionário”.

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