Ouro acalma ânimos, e Pistorius pede desculpas a brasileiro: ‘Também erro’

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Oscar Pistorius voltou a sorrir em Londres. O ouro para a África do Sul no revezamento 4 x 100m rasos T42-46 trouxe a felicidade de volta para o maior nome dos Jogos Paralímpicos de Londres. Celebrar a conquista, com direito a recorde mundial, no entanto, não era sua única missão. Toda polêmica iniciada após criticar as próteses de Alan Fonteles ao ser derrotado nos 200m T44, domingo, ainda estava no ar, e o velocista usou os microfones para tentar amenizá-la. Garantindo ter aprendido a lição, pediu desculpas públicas, mas seguiu cumprimentando o brasileiro com frieza nas pistas.

– Viemos para bater o recorde mundial e conseguimos. Tenho orgulho de fazer parte desse time. Todos foram incríveis. É o meu segundo recorde em dois eventos até agora. Eu consegui o ouro! Já até vejo minha prata mais bonita (risos). Eu me arrependo pelos meus comentários. Falei as coisas em um momento infeliz. Os dois últimos dias não foram fáceis, mas eu aprendi. Acho que isso que é o bonito da vida, estamos sempre aprendendo. Foi uma lição. É fácil ser grande quando ganhamos, mas é preciso ser um humilde quando se perde. Foi uma frustração, no calor do momento. Eu também cometo erros. Peço desculpas ao Alan. Essa noite foi uma grande oportunidade para vir aqui e colocar um ponto final nisso.

Questionado depois das semifinais dos 100m se tinha trocado palavras com Pistorius nos bastidores, Fonteles revelou que não. Depois da final do revezamento, por sua vez, o clima gelado ficou evidente. Ainda comemorando a prata – perdida em seguida após desclassificação -, os brasileiros ficaram frente a frente com os sul-africanos. Quatro de um lado, quatro do outro. Todos se abraçaram, menos Alan e Oscar, que apenas deram as mãos.

Mesmo com toda repercussão negativa da reação pós-derrota, Pistorius sentiu o carinho dos torcedores no Estádio Olímpico. Ao ter seu nome anunciado tanto nas eliminatórias dos 100m quanto no revezamento, foi ovacionado e agradeceu o apoio.

– Voltar aqui e ver a reação desse público foi realmente especial. Estou muito agradecido. Eles tornaram tudo mais fácil. Às vezes, cometemos erros e foi lindo voltar aqui e sentir esse carinho novamente.

Repetindo exaustivamente que estava arrependido da forma como se expressou, o sul-africano deixou claro que mantém seus questionamentos sobre o tamanho das próteses de alguns rivais.

– Fui o primeiro a levantar essa questão, mas alguns atletas concordaram com o tópico nos últimos dois dias. Acho que é um grande questionamento para o esporte. Entendi que o momento do comentário foi infeliz e realmente peço desculpas. Eu sabia que tínhamos que ser rápidos antes do Alan (no revezamento). Ele está rápido. Só pensei em correr mais do que a última vez.

Oscar Pistorius e Alan Fonteles na parte final do revezamento 4x100m nesta quinta-feira (Foto: Agência AFP)

Pistorius fez questão de esclarecer ainda que não é a favor da imposição de um limite na altura dos atletas. Porém, pediu maior atenção na proporcionalidade dos membros em relação ao tronco.

– Todos temos nossa individualidade. Não acho que todos devem ser da mesma altura, mas devem ser proporcionais ao seu corpo. Nos olímpicos, cada um é de um tamanho. Não estou querendo que todos fiquem iguais.

Antes de se despedir, o velocista fez até uma brincadeira com a medalha que tanto o frustrou no último fim de semana.

– Eu já tinha um bronze de Atenas, nunca tinha conseguido uma prata, e agora estou com a coleção completa. Assim que eu vejo. É uma medalha bonita, agora preciso olhar para frente.

Nesta quinta-feira, às 17h24m (de Brasília), Pistorius e Alan Fonteles estarão lado a lado, em raias coladas, na final dos 100m rasos T44. A dupla ainda mede forças nos 400m, com semifinais sexta e disputa do ouro sábado.