Criação de pombo correio já é realidade na região Noroeste Capixaba

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Columbofilia, columbismo ou columbicultura é a prática da criação, seleção e cultivo de pombos-correio para competição.

Carlos Madureira * texto/fotos

Uma arte secular e que ganha adeptos também por aqui na região noroeste capixaba. A columbofolia, atrai cada vez mais pessoas que se apaixonam pelo pombos correios. Assim também aconteceu com o empresário Vagner Oliveira, um apaixonado pela natureza e  que se tornou recentemente um columbófilo.

Ele mantém em sua propriedade no Córrego Beija Flor, município de Água Doce do Norte, um viveiro com aproximadamente 300 aves. São pombos da espécime “correio”, muito utilizados na Primeira e Segunda Guerra. Para se ter uma idéia, os alemães usavam atiradores de elite para interceptar os pombos que levavam mensagens. Eles são capazes de percorrer grandes distâncias, inclusive com possibilidade de atravessar o país de ponta a ponta. Vagner Oliveira é membro da Sociedade Columbófila Independência uma entidade que foi fundada em 14 de agosto de 1990 e filiada a C.C.B.-F.M.C de Belo Horizonte.

Embora a expressão da denominação desta cultura, seja difícil e complicada  para ser traduzida, criar pombo correio não é díficil, como ele  mesmo explicou. Segundo ele, o importante é ter boas matrizes e que vão originar animais especiais e que reunirão em sua linhagem, os pontos positivos para se ter um campeão.

Vagner informa que um pombo correio está preparado para seu primeiro vôo, sobre o pombal de origem, após os seus 35 a 40 dias de vida. “Se ele voar sobre o pombal por 15 dias, ele será capaz de reconhecê-lo pelo resto da vida já que armazenará informações quanto a localização, posição do sol e as polaridades da terra”, disse ele que acrescentou que os “atletas de asas” estão preparados para as primeiras competições após os seis meses de idade. Vale ressaltar que a o auge de um competidor está entre o primeiro e o quinto ano.

Modalidades de competição – Treinos oficiais – que variam de 20 a 100 kms

Numa competição são várias modalidades que se apresentam: prova de velocidade que variam entre 100 a 300 kms. Meio fundo: de 300 a 450 kms. Fundo: de 400 a 1000 kms. Grande Fundo: acima de 1000 kms.
Conheça aqui um pouco mais desta modalidade esportiva
Columbofilia é a uma modalidade desportiva relacionada a corrida entre pombos-correio. Columbófilos (criadores de pombos-correio), potencializam capacidades físicas e de orientação, para participação de campeonatos. Eles desenvolvem velocidades surpreendentes a ponto de partirem em velocidade de 108 km/hora e podem chegar a mais de 1.200 quilômetros de distância.
No Brasil, competições são realizadas anualmente de maio a outubro. A inserção do pombo-correio no Brasil, começou pelo Exército Brasileiro para fins de “Comunicações”. 1.000.000 de pombos-correio, é a população estimada de pombos-correio no Brasil. Os Estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Sergipe, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Mato Grosso e Espírito Santo; detém de columbófilos reconhecidos até internacionalmente.

Características do Pombo-correio

O atual pombo-correio é o fruto de cruzamentos de algumas raças belgas e inglesas, efetuadas na segunda metade do século XIX. Esse padrão de pombo foi continuamente selecionado a fim de apurar duas características principais: a capacidade de orientação e um morfótipo atlético. O pombo-correio caracteriza-se, principalmente pelas seguintes propriedades: vivacidade, velocidade de vôo; penas abundantes, brilhantes e de elevado coeficiente aerodinâmico; rabo sempre fechado quando em vôo; pescoço, fortemente implantado e esguio; grande resistência à fadiga.

O peso médio nos machos está compreendido entre os 425 g e os 525 g. No caso das fêmeas este valor é de 480 gramas. É capaz de percorrer num só dia claro, distâncias de 700 km a 1.000 km, a velocidades médias superiores a 90 km por hora.

Fisiológicos

Peso 350-500 g – Tamanho 12.5-40 cm – Temperatura (cloacal) 40-41ºC – Frequência Cardíaca 180-250 batimentos por minuto – Frequência Cardíaca (durante o vôo) 5.2-6.2 batimentos por segundo – Frequência respiratória 25-30 por minuto – Longevidade 20 anos (machos vivem mais que as fêmeas) – Consumo de alimento 5-20% peso corporal/dia – Consumo de água 30-60 ml; 5-8% peso corporal/dia – Velocidade de voo 104 km/h – Altura de voo 3800-5700 m (recorde) – Distância de voo directo 500 km (Alguns  1000 km) – Muda da pena Anual (Julho – Outubro) – Volume de sangue 0.01 mg/kg de peso corporal – Reprodutivo Maturidade sexual 5 meses – Primeiro ciclo reprodutivo 7-8 meses – Postura (nº) 2 ovos (o primeiro é posto ao final da tarde e o segundo posto cerca de 40-48h mais tarde) – Período de incubação 17-18 dias – Incubação Ambos os sexos – Cria (nome comum) “borrachos” – Aparecimento das penas 6 -7 dias após nascimento – Plumagem completa 1 mês – Muda da plumagem juvenil 6 semanas – Desmame 21-28 dias – Consumo de alimento (filhotes) 10 -100% do peso corporal – Redução da produtividade na fêmea é de 6 anos  – anilhamento entre o 6º e o 8º dia.

Anilhamento

Os criadores utilizam anilhas contendo todas as informações do animal e de sua linhagem. É uma espécie de identidade. Se após o 8º dia de nascimento, o animal não for anilhado, fica impossível a sua colocação, impedindo assim a sua identificação, a idade, país de origem, pedigree e outras informações que são fornecidas pelo produtor. Sem essas informações, fica difícil o controle da genética. Uma vez anilhado é impossível a retirada.

Alimentação

Exitem três tipos de alimentação: na reprodução usa-se oito quilos de trigo; oito quilos de sorgo, quatro quilos de ervilha, dois quilos de feijão fradinho, um quilo de lentilha, um quilo de semente de girassol e um quilo de cártamo. Esses ingredientes perfazem um total de 25 quilos de ração. Nas provas de vôo, acrescenta-se oito quilos de milho. Na muda: acrescenta-se também o milho e arroz com casca.
Destaca-se que também complementa esta alimentação a utilização brick (composto de farelo de ostras, carvão e argila queimada. Esta alimentação ajuda o animal a adicionar cálcio e facilita a digestão. Existem outros componentes utilizados pelo produtor para a prevenção e cura de possíveis doenças, como adição de vitaminas, antibióticos e vermífugos.

Pombal

O pombal se compôe de três áreas distintas: área de reprodução; área de atletas de vôo (separados os machos das fêmeas) e área para banhos de sol. Todas essas instalações precisam ser higienizadas diariamente com recolhimento de resíduos de alimentos, fezes e penas, além do fornecimento de água limpa.

Revestimento Corporal: Penas

A plumagem nos pombos-correio cumprem vários fins: formam uma capa termo-isoladora, organizam as superfícies impulsoras da asa e dão ao corpo a forma aerodinâmica característica.
Existem diferentes tipos de penas: as de contorno; o “duvet”; as filopenas; o “duvet” empoado.

São penas de contorno, as remiges (penas maiores das asas), as rectrizes (pena da cauda) e as tectrizes (penas de cobertura). O “duvet” é a penugem, a qual deve ser abundante e sedosa. As filopenas transmitem informações sobre o movimento e as vibrações das penas de contorno aos receptores nervosos. O “duvet” empoado contém um fino pó branco constituído basicamente por queratina. Este pó é o responsável pela resistência destas penas e repelem a água.

As penas são implantadas na pele em campos, segundo um padrão fixo. A cor das penas é variada, sendo as mais comuns: azul, vermelho, castanho claro, malhado, bronzeado, preto e branco.As penas do pombo renovam-se cada ano, designando-se esta atividade fisiológica como muda e deve ser perfeitamente conhecida pelo columbófilo, porque representa um momento crítico na vida desportiva do pombo-correio: qualquer falha ou doença, nesta fase, reduz visivelmente a capacidade de competir nas grandes provas. São consideradas as penas mais importantes as das asas e da cauda.

Columbofilia no Mundo

Em Portugal, competições são realizadas anualmente de Março a Junho. Portugal tem o desporto da columbofilia, como o segundo mais popular deste país, contemplando com 4.500.000 pombos para fins desportivos. De organização impecável e informatizada em praticamente todos os setores, lidera o mundo em seu conceito administrativo, campeonatos, técnicas e alta comercialização em produtos relacionados ao esporte.
Bélgica, Portugal, França, Holanda, Alemanha tem sido fortes concorrentes em grandes campeonatos mundiais, atrelada a sua tradição.
Na China, grandes apostas inflamam corridas milionárias; assim como na África do Sul.
Nas Ilhas Canárias (Espanha), a columbofilia se destaca não só pelo número de aficcionados, mas pelas corridas oceânicas (por sobre o mar); de elevado nível técnico.

Histórico Cronológico e Jurídico da Columbofilia no Brasil

31/05/1903 – Fundação da Sociedade Columbófila Brasil onde funcionou até o ano de 1950.
16/06/1930 – Fundação da Sociedade Columbófila Paulista.
10/08/1935 – Fundação da Sociedade Columbófila A. Rolinha em atividade até hoje.
06/07/1933 – Decreto nº. 22.894 – assinado pelo Presidente do Brasil Getúlio Vargas criando a Confederação Columbófila Brasileira, como órgão integrante do Ministério da Guerra, sendo considerado uma sociedade de utilidade pública, gozando dos benefícios e incentivos fiscais.
22/02/1934 – Decreto nº. 23.904 – alterou a composição da diretoria da Confederação Columbófila Brasileira, apontando como novos diretores, a alta direção do Ministro de Estado da Guerra e o Diretor do Serviço Telegráfico do Exército.
22/02/1934 – Decreto nº. 23.905 – aprovou o regulamento da Confederação Columbófila Brasileira, assinado pelo General de Divisão Pedro Aurélio de Góes Monteiro, Ministro de Estado da Guerra.
1951 – Ano de Fundação do Clube Columbófilo Limeirense – SP
27/07/1960 – Decreto nº. 48.631 – assinado pelo Presidente Juscelino Kubitschek subordinando a Federação Columbófila Brasileira à Superintendência do Conselho Nacional de Desportos, órgão do Ministério da Educação e Cultura, como órgão exclusivamente civil, e manteve seu status de utilidade pública.
18/11/1971 – Decreto nº. 69.547, assinado pelo Presidente General Emílio G. Médici, que revogou o Decreto nº. 48.631, e consequentemente, voltou à subordinação da Confederação Columbófila Brasileira ao Ministério da Guerra.
10/05/1991 – Decreto sem número, publicado no Diário Oficial da União de 13 de maio de 1991, assinado pelo Presidente Fernando Collor, que revogou o Decreto nº. 22.894 de 6 de julho de 1933, ou seja, cancelou a criação da Confederação Columbófila Brasileira.
24/07/1993 – Criação da Federação Columbófila Brasileira, associação civil de direito privado, sem nenhum apoio financeiro, para representar o país, centralizar e direcionar a columbofilia brasileira.
Legislação de Columbofilia em Portugal
Dec. Lei 36767 de 26 de Fevereiro de 1948 (Lei de protecção ao pombo-correio): Determina que é necessário estar inscrito na Federação Portuguesa de Columbofilia para poder ter pombos-correio ou comprar anilhas oficiais1 e que o dever de quem encontrar um pombo-correio extraviado é comunicá-lo de imediato à Federação Portuguesa de Columbofilia, que tratará de identificar o proprietário a fim de se proceder à recuperação do pombo. Após a recepção da comunicação emitida pela Federação, o proprietário dispõe de 15 dias (corridos) para a efectiva recuperação do pombo.2

Diferenças entre o Pombo-Correio e o Pombo de Rua

Ambos pertencem ao mesmo grupo familiar. A forma de tratamento é o que difere entre si. Os pombos-correio são registrados e rastreados por uma unidade federativa, e por consequência por clubes afiliados; com anilhas oficiais anuais correspondente ao país. Há pombos com um “anel-chip” em outra pata, ou marcas coloridas, nomes, telefones e/ou endereços de columbófilos.

Considerados preconceituosamente pelas populações dos grandes centros como “ratos de asas”, acusados de transmitirem doenças e pragas, não é o caso do pombo correio, que nasceu para voar e quando não está voando, está no pombal. Mesmo assim os animais tanto os comuns como os de linhagem, são sucetíveis a doenças se não forem cuidados, como acontece com outras aves se não forem vacinadas e higienizadas as instalações.

Possuem uma reprodução descontrolada, vivem predominantemente próximos a pontos onde sobrevivem pela facilidade de acesso à alimentação, e não possuem responsáveis nominados. Fisicamente, visualiza-se uma grotesca diferença morfológica. Os atletas possuem e devem ter uma plumagem perfeita e limpa e uma estrutura muscular imponente, construída por treinos e uma dieta diferenciada a cada estágio e categoria desportiva. Pombos de rua, alimentam-se de materiais diversos jogados. Desafortunadamente, tanto a mídia como usuários de pombos para transporte de objetos de elevada massa, rotulam como pombo-correio. Nessa inverdade e desinformação, ambos são surpreendidos pela decepção.