Desmatamento da Mata Atlântica cresce mais de 400% no ES

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Aumento do desmatamento na área do bioma em territória capixaba foi de 462%. Foram 13 hectares desmatados no período entre 2018 e 2019 e 75 hectares entre 2019 e 2020.

Por G1 ES


Área desmatada flagrada pela Polícia Militar Ambiental em Nova Venécia, no Norte do ES, em julho de 2020 — Foto: Divulgação/Sesp

Área desmatada flagrada pela Polícia Militar Ambiental em Nova Venécia, no Norte do ES, em julho de 2020 — Foto: Divulgação/Sesp

Entre 2019 e 2020, o desmatamento da Mata Atlântica se intensificou em dez dos 17 estados que compreendem o bioma. No Espírito Santo, o aumento chegou a ultrapassar 400%.

O aumento do desmatamento na área do bioma em território capixaba foi de 462%. Foram 13 hectares desmatados no período entre 2018 e 2019 e 75 hectares entre 2019 e 2020.

As informações são do Atlas da Mata Atlântica, estudo realizado desde 1989 pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), lançado nesta quarta-feira (26), véspera da data em que é celebrado o Dia Nacional da Mata Atlântica.

Em São Paulo, o crescimento também foi de mais de 400%. Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul tiveram mais de 100%.

Segundo a SOS Mata Atlântica, a manutenção do alto patamar de perda da vegetação nativa, com o crescimento do desmatamento em diversos estados, coloca o bioma em grande ameaça e reforça a necessidade de ações de restauração florestal.

No total, foram desflorestados 13.053 hectares (130 quilômetros quadrados) da Mata Atlântica no Brasil durante o período – dado que, embora 9% menor que o levantado em 2018-2019 (14.375 hectares), representa um crescimento de 14% em relação a 2017-2018 (11.399 hectares), quando se atingiu o menor valor da série histórica.

“Mesmo que tenhamos uma diminuição de 9% do desmatamento em relação a 2018-2019, ali o aumento havia sido de 30%, então não podemos falar em tendência de queda”, explicou Luís Fernando Guedes Pinto, diretor de Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica.

“Além disso, no que se refere à Mata Atlântica, 13 mil hectares é muito, porque se trata de uma área onde qualquer perda impacta imensamente a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, como regulação do do clima e disponibilidade e qualidade da água”, afirmou.

Segundo ele, a grande preocupação é ver estados que já estiveram muito próximos de zerar o desflorestamento voltando a mostrar aumentos expressivos.

“São Paulo e Espírito Santo são os maiores exemplos disso”, completou.

Para Luís Fernando, o principal problema é a falta de fiscalização.

“Os governos precisam fazer valer a Lei da Mata Atlântica, que não permite a conversão de áreas florestais avançadas, e garantir o desmatamento ilegal zero por meio do combate às derrubadas não autorizadas”, explicou.

O relatório completo do Atlas da Mata Atlântica 2019-2020 pode ser acessado nos sites da SOS Mata Atlântica e do Inpe.