Donos de ferros-velhos presos no ES encomendavam peças de carros roubados

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Segundo investigação da polícia, os estabelecimentos funcionavam na legalidade, mas comercializavam peças ilegais junto às lícitas

Quatro donos de ferros-velhos nos municípios de Vila Velha e Cariacica foram presos do dia 10 de abril até esta terça-feira (16), em uma operação da Polícia Civil contra a receptação de peças de veículos roubadas e furtadas no Espírito Santo.

A operação, batizada de “Sarcina”, teve início em meados de março de 2023 e foi concluída nesta terça-feira. Ao todo, foram expedidos oito mandados de busca e apreensão nos estabelecimentos investigados.

De acordo com a investigação, os estabelecimentos tinham registro de autorização de funcionamento, ou seja, funcionavam na legalidade, mas comercializavam peças ilegais junto às lícitas.

O esquema funcionava da seguinte forma: carros roubados ou furtados eram cortados e as peças destes veículos encomendadas pelos donos dos ferros-velhos, que as comercializavam como se fossem legais.

Dentre as peças apreendidas, foram encontrados diversos airbags, cuja revenda é proibida. Uma vez retirado de um carro, o equipamento deve ser reenviado ao fabricante, que analisará se o produto pode ou não ser reutilizado.

“Eles fazem um pacote destes veículos que são cortados e posteriormente colocam para circular no mercado aqui no Espírito Santo. Normalmente agimos coibindo ferros-velhos clandestinos, mas com a Operação Sarcina, deflagrada em 2023, atuamos contra ferros-velhos que tinham registro de funcionamento contra furto e roubo”, informou o titular da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), delegado Luiz Gustavo Ximenes.

Os quatro suspeitos foram presos durante uma ação controlada da Polícia Civil. Este tipo de operação é realizada quando o delegado pede autorização a um juiz para realizar a prisão em flagrante quando for o momento mais adequado.

Três das prisões foram realizadas no dia 10, quando os carros ainda eram cortados para as peças serem retiradas. Nesta terça-feira, uma quarta prisão foi realizada, sob a mesma dinâmica.

Com isso, as prisões em flagrante foram convertidas em prisões preventivas pelo Ministério Público.

Em um dos locais também foi encontrado um dispositivo conhecido como “jammer”. Ele é utilizado para bloquear sinais de GPS ou de aparelhos telefônicos, para que os veículos roubados não sejam localizados.

“Vamos pedir ao poder público para que os estabelecimentos tenham s registros de autorização para funcionamento cassados. Os acusados vão responder por receptação de produto roubado”, informou Ximenes.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Darcy Arruda, o Espírito Santo tem conseguido coibir crimes de receptação, algo que vai na contramão do resto do Brasil.

“O Estado Espírito Santo, no ano passado, ele reduziu 14% o índice de furto e roubo de veículos. ao passo que o Brasil aumentou 20%. Então nós estamos aqui na contrabão da história. Nós estamos reduzindo o número de furtos e roubos de veículos ao passo que o Brasil vem aumentando cada dia mais”, disse.

Os ferros-velhos onde as peças foram encontradas foram interditados após a operação. As investigações seguem com o intuito de identificar e prender os responsáveis por cometer os roubos e furtos.