Em Vila Pavão, ainda se mantém viva a tradição de torrar café orgânico de forma artesanal em uma propriedade local.

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Apesar de representar uma pequena porção da indústria cafeicultora brasileira, o sistema de produção orgânica oferece um vasto potencial para fomentar a preservação ambiental e promover o desenvolvimento social e econômico de uma região, constituindo uma significativa oportunidade para fortalecer as cooperativas de pequenos produtores.

Na propriedade do senhor Vitor Pagung, uma família de cafeicultores se dedica à produção orgânica do café Bourbon Amarelo, conhecido por seu sabor mais adocicado e menor teor de ácido oxálico em comparação ao seu irmão vermelho, conferindo à bebida uma suavidade ímpar.

Na foto: O produtor Vitor Pagung torrando o café de forma tradicional

“Começamos produzindo o café Bourbon exclusivamente para consumo interno, mas após recebermos elogios durante visitas, decidimos dedicar uma pequena parte da produção para atender aos pedidos de amigos e clientes que anualmente solicitam nosso café”, compartilhou o senhor Vitor.

Desde a colheita até o processo de torrefação, o café Bourbon é cultivado e tratado de maneira orgânica na propriedade. Esse método de produção exclui o uso de agrotóxicos e químicos, priorizando o emprego de fertilizantes orgânicos e práticas biológicas para estimular o crescimento das plantas e controlar pragas e doenças, como ressaltou o senhor Vitor Pagung.

 

A propriedade da Família Pagung, com seus 4 alqueires, abriga principalmente pés de café conilon, totalizando 30 mil mudas, enquanto os 500 pés de café Bourbon produzem aproximadamente sete a dez sacas por ano.

É interessante notar que a variedade amarela do Bourbon oferece uma produtividade 40% maior, levando muitos produtores a optarem por ela em detrimento do Bourbon vermelho, apesar de ambos apresentarem alta qualidade e sabor.

Em relação ao sabor, o Bourbon destaca-se como uma das variedades mais apreciadas para cafés especiais, graças ao seu aroma intenso e notas doces, reminiscentes de avelãs.

Para conquistar a certificação de café orgânico, é essencial que o produto seja cultivado sem o uso de insumos artificiais, como fertilizantes químicos e defensivos, tornando-o uma opção mais saudável em comparação às versões tradicionais. No cultivo orgânico, são empregados fertilizantes orgânicos, adubos verdes e técnicas de manejo do solo que garantem o crescimento saudável das plantas, em conformidade com o ditado dos cafeicultores experientes: “cuide do solo, e ele cuidará das plantas”.

Além de proporcionar um sabor excepcional, o café orgânico é rico em antioxidantes, contribuindo para retardar o processo de envelhecimento e potencialmente prevenir doenças como Mal de Parkinson, Alzheimer e cirrose hepática.