Famílias capixabas recebem apoio para ampliar produção de café e pimenta-do-reino

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Fundação Renova destina R$ 2,6 milhões para melhoria de infraestrutura e compra equipamentos, beneficiando produção de 565 famílias em nove assentamentos

Redação Folha Vitória
Foto: Jovander / Fundacao Renova

Mais de 500 famílias capixabas estão vendo suas produções de café e pimenta-do-reino passarem por um processo de estruturação e modernização. Tradicionalmente, esses produtores rurais, que vivem em nove assentamentos do Estado, vendem sua colheita in natura, a preços mais baixos, ou pagam para beneficiar seus grãos.

Mas essa realidade vem mudando. Desde outubro de 2020, está sendo realizado um programa de incentivo que inclui a aquisição de equipamentos de beneficiamento, apoio técnico especializado e melhoria da infraestrutura já existente nos assentamentos. As famílias também estão recebendo suporte para a plantação de 80 novos hectares de café, fazendo a introdução da variedade do grão conilon melhorado geneticamente nos nove assentamentos contemplados.

A iniciativa é desenvolvida pela Fundação Renova em parceria com a Cooperativa de Produção, Comercialização e Beneficiamento dos Assentados (Coopterra), ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

Com um investimento de R$ 2,7 milhões, o Projeto de Apoio às Cadeias Produtivas do Café, Pimenta-do-Reino em Assentamentos Rurais Capixabas visa melhorar a qualidade, agregar valor e atingir novos mercados para esses produtos, o que resultará em desenvolvimento econômico para a região.

Foto: Jovander / Fundacao Renova

No rastro desse progresso, a melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas, o aumento da autoestima, a redução da submissão nas negociações dos produtos. Todos esses benefícios são resultado da ação direcionada a 565 famílias produtoras nas cidades de Conceição da Barra, Aracruz, Fundão e São Mateus.

“Estivemos na inauguração de equipamentos num dos assentamentos, o Zumbi dos Palmares, com 151 famílias. Foi bom ver, na prática, como esse maquinário agregou valor e como isso vai ajudar. É muito interessante o projeto deles. Cada núcleo tem sua produção. Cada um leva suas sacas de café, de pimenta-do-reino, e tudo isso é beneficiado no mesmo local, mas cada família cuida do seu”, conta Anízio Dutra Vianna, especialista da área de Economia e Inovação da Fundação Renova.

Os assentamentos estão em localidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. O acordo de cooperação é uma ação compensatória da Fundação Renova e tem como objetivo dinamizar a reativação econômica na bacia do rio Doce.

De acordo com Vianna, a meta mais importante desta iniciativa é gerar renda e fazer progredir as condições de vida nestas localidades. “Esse é o principal objetivo: fazer com que essas famílias assentadas, através deste projeto, possam melhorar a sua geração de renda através de uma condição produtiva melhor, de capacitação. Assim estamos agregando muito mais valor ao produto”, afirma.

Beneficiamento

O ponto crítico para os produtores é a secagem da safra. Apenas 10% da produção era beneficiada e podia ser comercializada por eles. Vianna explica: “Antigamente, esses produtores assentados tinham que fazer a secagem da pimenta-do-reino ao sol. O processo levava em torno de 11 dias. O produto exposto ao tempo ainda ficava sujeito a contaminações diversas. Com o novo equipamento, esse processo foi reduzido a poucas horas”, conta.

Foto: Jovander / Fundacao Renova

“Com uma secagem mais rápida, eficiente e produtiva, eles podem beneficiar muito mais pimenta, muito mais café, com mais qualidade e, consequentemente, gerar mais renda”, afirma. Para auxiliar na melhora dos procedimentos, foram adquiridos pelo projeto um aparelho GPS portátil, um veículo, dois descascadores de amostras de grãos, três debulhadoras para pimenta-do-reino com rosca sem fim e quatro secadores de inox para pimenta, entre outros.

Gestão própria

Com o aporte financeiro da Fundação Renova, até o fim do programa, estão previstas a construção de uma unidade de beneficiamento de café e pimenta-do-reino no assentamento Valdício Barbosa dos Santos, em Conceição da Barra, e a instalação de equipamentos de beneficiamento de pimenta-do-reino nos assentamentos Piranema, em Fundão, Zumbi dos Palmares, em São Mateus, e Paulo Vinhas, também em Conceição da Barra.

Os núcleos familiares produtivos estão recebendo assistência técnica especializada nas atividades agrícolas e apoio para a realização da comercialização dos produtos por meio de suas cooperativas. Essa gestão profissionalizada do negócio pelas próprias famílias é outro objetivo planejado. Para isso, atividades de formação e capacitação estão sendo oferecidas.

“Muitos já receberam cursos e assessoria de comercialização, gestão e administração. Palestras também estão sendo levadas aos assentados. A aceitação tem sido muito boa”, afirma Adelso Rocha Lima, membro da equipe técnica da Coopterra e coordenador do Projeto de Apoio às Cadeias Produtivas de Café e Pimenta do Reino em Assentamentos Rurais Capixabas.

Adelso conta que, no início da ação, foram feitas reuniões para apresentação do projeto e convite para adesão em cada um dos nove assentamentos: Nova Esperança (50 famílias); Piranema (65 famílias); Georgina (81 famílias); Vale da Vitória (39 famílias); Pratinha (17 famílias); Zumbi dos Palmares (151 famílias); Valdício Barbosa dos Santos (89 famílias); Paulo Vinhas (63 famílias) e Independência (10 famílias).

“É todo um conjunto. As capacitações ajudam muito, juntamente com a compra do maquinário e o plantio dos novos hectares, ou seja, tudo vai fazer com que eles cada vez mais aprendam sobre gestão, sejam capacitados e, com isso, consigam agregar mais valor ao produto”, afirma Vianna, da Fundação Renova.

Etapas diversas

A previsão é que este programa de cooperação entre Fundação Renova e Coopterra siga até outubro deste ano. Atualmente, cada assentamento se encontra numa fase de implantação.

“Cada núcleo tem um ritmo diferente. Em alguns, os maquinários já chegaram, em outros ainda vão chegar. Então, por exemplo, no caso do Zumbi dos Palmares, o fato de os equipamentos já estarem em funcionamento faz com que a geração de renda já aconteça imediatamente. Em outros, pode demorar um pouco mais.”, diz Vianna.

Foto: Jovander / Fundacao Renova

Adelso Rocha dá mais detalhes sobre as obras no assentamento Valdício Barbosa dos Santos. “Começamos as obras em novembro de 2020. Estamos na etapa final da construção para, em seguida, fazer a instalação das máquinas”, diz.

“Acredito que até outubro a gente já esteja com três unidades de beneficiamento de café ou de pimenta-do-reino em funcionamento. E que, também até outubro, a gente já tenha instalado pelo menos parte dos 80 hectares de café que constam no projeto”, explica o membro da Coopterra.

Por: Gabriel Serafim