Foram mais de meia tonelada de peixes distribuídos à população do bairro por quatro pescadores, que lotaram o barco com pescados como bagre, caratinga e beré. Os cardumes volumosos foram apanhados de rede durante uma passagem dos pescadores pela localidade de Lameirão. Mas quem são estes profissionais responsáveis por um quase milagre de multiplicação? Eles são Delson Muniz Rocha, o filho dele, Delson Rodrigues Rocha, Paulo Sérgio Muniz Correia e Ricardo Barreto. Mas na comunidade os nomes são outros: Neguinho, Delsinho, Tatuia e Ricardão. Entre no grupo do Folha Vitória no WhatsApp Entre no grupo do Folha Vitória no WhatsApp De acordo com Delson Muniz, aliás, “Neguinho“, a ideia de doar os peixes surgiu assim que os pescadores se depararam com um cardume tão grande. Pensamos que tem muita gente que não tem dinheiro para comprar um peixe. Como tínhamos todos esses bagres, decidimos doar para o pessoal que precisa. E é muito melhor doar a quem precisa do que jogar fora, que seria simplesmente um pecado. Delson Muniz Rocha, o “Neguinho” Delson conta que ele, o filho e o irmão vivem da pesca. Especializado em pescar tainhas, que podem ser vendidas, o trio ajuda quem precisa sempre que outros peixes ficam presos nas redes. Mais de 50 anos de pesca Aos 69 anos, Delson conta que já pesca desde os 10 e que episódios de doação dos peixes são comuns na Ilha das Caieiras, mas desta vez, o presente foi maior do que o esperado e foram mais de 8 horas no cais para dar um peixinho a todo mundo que passou por lá. “Ficamos distribuindo de 14h às 22h. Já doamos outras vezes, mas dessa vez nem deu para contar quantas pessoas foram. Elas apareciam com a sacola aberta e nós íamos jogando na sacola. Foi todo mundo, desde mulheres, homens, jovens, adultos, crianças, idosos. Todo mundo levou um peixe”, contou. Os peixes também foram doados ao Albergue Ana Paula, que dá suporte a pessoas no tratamento contra o câncer. Delson conta que a distribuição faz parte de seu próprio modo de enxergar a vida e deixa claro: quem tem a oportunidade de fazer o bem, deve fazê-lo sem olhar a quem. “Ajudando as pessoas, a gente se sente muito melhor. Quem faz o bem, recebe o bem. Quando ajudo alguém, tudo fica bom, tudo dá certo na minha vida”, relatou.

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Um gesto simples, mas de grande impacto, emocionou moradores da Ilha das Caieiras, na capital capixaba. Após uma pescaria extremamente produtiva, quatro trabalhadores do mar decidiram compartilhar a abundância e doaram mais de meia tonelada de peixes à comunidade local e a uma instituição social.

A captura aconteceu na região de Lameirão, onde um grande cardume acabou enchendo o barco com espécies como bagre, caratinga e beré. Diante da quantidade surpreendente, os pescadores optaram por transformar o excedente em alimento para famílias do bairro.

A iniciativa partiu de Delson Muniz Rocha, o “Neguinho”, ao lado do filho Delson Rodrigues Rocha, conhecido como “Delsinho”, além de Paulo Sérgio Muniz Correia, o “Tatuia”, e Ricardo Barreto, o “Ricardão” — nomes bastante conhecidos na comunidade pesqueira.

Segundo Neguinho, a decisão foi tomada no mesmo instante em que perceberam o tamanho do cardume.

“Sabemos que muita gente não tem condições de comprar peixe. Então resolvemos doar. Melhor ajudar quem precisa do que desperdiçar”, afirmou.

A distribuição aconteceu no cais da ilha e durou cerca de oito horas, das 14h às 22h. Moradores de todas as idades compareceram com sacolas nas mãos para receber o alimento. A movimentação foi intensa e constante ao longo da tarde e da noite.

Além das famílias da região, parte dos peixes foi encaminhada ao Albergue Ana Paula, que acolhe pessoas em tratamento contra o câncer, ampliando o alcance da ação solidária.

Com 69 anos de idade e mais de meio século dedicado à pesca, Neguinho destaca que atitudes como essa fazem parte de seus valores.

“Quando a gente ajuda alguém, sente uma alegria diferente. Fazer o bem sempre traz coisas boas de volta”, declarou.

A atitude dos pescadores reforça o espírito de união e empatia que tem marcado os últimos dias na Grande Vitória — mostrando que, quando há vontade de ajudar, a solidariedade se multiplica.