Homem que achou bebê em matagal faz campanha para adotar a criança Ele disse que a Vara da Infância e da Juventude deu respostas “ríspidas e indelicadas”

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 Everton Santos e a noiva fazem uma campanha no Facebook para adotar o bebê que acharam abandonado em um matagal do Gama Reprodução / Facebook
Everton Santos e a noiva fazem uma campanha no Facebook para adotar o bebê que acharam abandonado em um matagal do Gama Reprodução / Facebook

Após encontrar uma recém-nascida abandonada em um matagal do Gama (DF) embaixo de chuva na madrugada da última quinta-feira (10), o auxiliar administrativo Everton Santos decidiu montar uma campanha no Facebook para adotar a criança. Em dois dias, o perfil já teve quase 5.000 compartilhamentos.

Ele disse que levou a ideia ao conhecimento dos médicos do HRG (Hospital Regional do Gama), onde a menina está internada, e da VIJ-DF (Vara da Infância e da Juventude) no dia seguinte, mas obteve respostas “ríspidas e indelicadas”.

— Os médicos não nos deixam ver a Clarinha, nome que eu e minha noiva demos carinhosamente. Eles dizem que não podemos criar vínculos afetivos. Já o pessoal da VIJ foi bastante grosso e disse que é melhor desistirmos, porque não temos chance alguma de adotá-la.

Everton contou com a ajuda da irmã, Arlete Santos, para localizar o bebê. A criança estava entre a vegetação de mato alto na quadra 21 do Setor Leste da cidade, ainda com o cordão umbilical e com o rosto próximo a uma poça de água.

Apresentava, também, sinais de hipotermia, ou seja, baixa temperatura corporal. As mãos e os pés da menina estavam roxos. Para amenizar o problema, Everton cobriu a menina como pode e registrou boletim de ocorrência antes de levá-la ao hospital.

Emocionado, o homem relatou que só conseguiu encontrar Clarinha porque ouviu um choro e decidiu sair de casa para ver se encontrava algo. Ele caminhou por toda a quadra, junto com a irmã, mas não viu nem ouviu nada. Pouco depois, no momento em que voltava, escutou um gemido baixo vindo do mato e foi ver o que era.

— Encontrei ela lá e imediatamente amei essa criança. O céu, pouco antes, estava totalmente nublado, chuvoso. Depois, era possível até ver as estrelas. Encontrei a Clarinha no dia em que meu filho completou três anos de vida.