Incêndios em vegetação no norte do estado têm causado insegurança e prejuízo para empresas e produtores rurais

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São Mateus lidera o ranking, com 90% das ocorrências atendidas este ano pelo Corpo de Bombeiros na região

O tempo seco e os ventos contribuem para propagar o fogo

O norte do Espírito Santo vem sofrendo com a elevada incidência de incêndios em áreas de vegetação, causando prejuízos para o meio ambiente, para a saúde das pessoas e para a economia. De acordo com dados do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (CBMES), entre os municípios do norte do estado que receberam suporte da corporação relacionados ao combate a incêndios em vegetação, São Mateus lidera o ranking, com 90% das ocorrências entre janeiro e outubro.

Incluindo nessa conta o município vizinho de Conceição da Barra, o índice sobe para 97% do total atendido na região. A corporação informa que até novembro deste ano, comparado a 2022, houve um aumento de 694% no número de ocorrências de incêndios em vegetações.

De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, Davi Pedroza, existem alguns fatores que podem estar provocando os incêndios. Entre eles o período de seca e o aumento da temperatura. Outro fator é a ação humana, seja criminal ou não. Ele cita como exemplo que alguns produtores desejam realizar a limpeza do lote, mas o fogo pode acabar se espalhando. Além disso, há também o descarte inadequado de bitucas de cigarro.

O tenente aponta maneiras que a sociedade pode agir para evitar novos incêndios. “Primeiramente, as pessoas não devem colocar fogo em hipótese alguma. Nem mesmo para limpar o terreno e tentar fazer uma ‘queima controlada’. Com a ventania que está, dificilmente essa pessoa que não tem conhecimento vai conseguir controlar esse incêndio. Segundo, aquele que quer proteger sua propriedade, sua área rural, sua casa, deve fazer uso do aceiro. Ou seja, criar uma faixa limpa entre a mata e a lavoura de uma vez e meia a altura da plantação”, recomenda.

Afonso Félix é morador da comunidade quilombola na região norte e tem sofrido com danos causados pelo fogo. Segundo ele, a fauna e a flora estão ameaçadas. Ele observa que as aves têm ido embora porque seu habitat está sofrendo com a destruição. Os animais perdem seus alimentos porque não conseguem consumir as frutas que foram danificadas. O morador aponta o medo de perder as espécies de aves como vem perdendo os tucanos, aracuãs e araçaris, que já estão sendo considerados ameaçados na região, já que estão ficando com menos comida. “Nossos alimentos também têm sido atingidos. A minha plantação de pimenta foi queimada, assim como o coqueiro que tinha aqui”, diz.

Além do impacto ambiental, os incêndios afetam a saúde das pessoas. “Minha mãe tem 84 anos. Há poucos dias teve um incêndio que deixou ela e outras pessoas idosas com dificuldade de respirar. Elas tiveram que ser retiradas daqui porque se sentiam sufocadas. Fiquei muito preocupado com isso”, lembra.

Foto: Divulgação / Suzano
O fogo atinge os plantios de eucalipto e a vegetação nativa

A Associação Agricultura Forte, juntamente com outras instituições, manifestou sua indignação por meio de nota abordando essas ações que têm trazido danos ao ecossistema local, à economia e à sociedade. “Registramos que apenas no final de semana de 10 a 12 de novembro de 2023, aproximadamente 150 focos de incêndio foram provocados intencionalmente, consumindo cerca de 350 hectares de florestas plantadas e nativas, das quais aproximadamente 80 hectares em áreas de preservação permanente foram seriamente danificados, comprometendo a biodiversidade e o equilíbrio ambiental regional”, informa a nota.