Portugal, Canadá, Austrália e EUA oferecem vagas para brasileiros

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Com carência de mão de obra em diversas áreas, países desenvolvidos estão em busca de brasileiros que querem trabalhar e almejam remuneração justa, valorização profissional e qualidade de vida. E quem mora no Espírito Santo pode participar. Portugal, por exemplo, está com vagas nas áreas de hotelaria e gastronomia. Somente para Algarve, região praiana e principal ponto turístico do país, a estimativa é que seja preciso contratar até 60 mil pessoas, conforme informou o diretor do Grupo Nau, Mário Azevedo

O diretor da IE Intercâmbio, Victor Ferreira, afirma que além de Portugal, países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Irlanda estão com vagas abertas. Cada um, de acordo com ele, tem sua especificidade e as vagas são muito relativas.
“Os Estados Unidos, por exemplo, oferece um programa de férias a trabalho, onde o candidato vai trabalhar pelo período de três meses e já sai daqui com um emprego garantido”, explicou o diretor, que falou ainda sobre a Irlanda.

“Hoje ela é a queridinha dos brasileiros quando o assunto é trabalho, por conta do custo-benefício. Além disso, o país tem um acordo com o Brasil, no qual o trabalhador deve se matricular em uma escola de idiomas com duração de seis meses e, nesse período, ele pode trabalhar por lá de forma legal”, salientou Victor.

 

Estados Unidos
O país conta com programa para trabalhar durante férias das faculdades acoplado a um curso de idiomas, chamado Work Experience ou Au Pair, que contempla universitários de 18 a 29 anos. Eles irão trabalhar em estações de ski, hotéis, resorts, parques aquáticos, entre outros. A remuneração varia de 7 a 12 dólares (R$ 40 a R$ 67) por hora.

Irlanda
Trabalho e estudo por seis meses, para qualquer idade (a partir de 18 anos), em qualquer época do ano, com oportunidades em hotéis, restaurantes, lojas, pub’s, cafés e bares, com salários a partir de 10 euros (R$ 62) a hora.

Dubai
O país contrata candidatos de qualquer idade (mínimo de 18 anos) para trabalhar nas áreas de hotelaria, lojas, restaurantes e resorts. A remuneração varia entre 4 e 6 mil de Dirhams (R$ 6.000 a R$ 9.000) por mês. Para entrar no país, é necessário apenas o passaporte brasileiro e o contrato de trabalho assinado.

Austrália
Admite candidatos de qualquer idade (a partir de 18 anos) e que tenham qualquer nível de idioma, a partir de quatro meses de residência no país.
Além disso, o país tem o maior salário mínimo do mundo e paga até 30 dólares (R$ 168) por hora para quem trabalhar em áreas de hotelaria, gastronomia, restaurantes e outros. A construção civil é uma das áreas que mais contrata.

Nova Zelândia
Contrata candidatos que estejam no país a partir de quatro meses, para áreas de hotelaria, comércio e gastronomia. A remuneração varia de acordo com a carga horária trabalhada.

Canadá
Para garantir um emprego e o visto, o candidato precisa escolher um curso da área específica na qual pretende trabalhar. As áreas mais requisitadas são hotelaria e tecnologia da informação. A remuneração é de 15 dólares (R$ 84) por hora. Vale lembrar que um curso de idioma não oferece opção para trabalhar e o candidato precisa ter um curso intermediário de inglês para estar no país.

Oferta de visto acelerado e residência permanente

A batalha por trabalhadores imigrantes para atuar em diversas áreas tem resultado em uma série de facilitadores, como aceleração de vistos e promessas de residência permanente em inúmeros países ricos da Europa,Ásia e América do Norte.
Na Alemanha, onde as autoridades alertaram recentemente que o país precisa de 400 mil novos imigrantes por ano para preencher vagas em áreas que vão da academia ao conserto do ar-condicionado, uma nova Lei de Imigração oferece vistos de trabalho acelerados e seis meses para visitar

Já o Canadá planeja dar residência a 1,2 milhão de novos imigrantes até 2023. Israel fechou recentemente um acordo para trazer profissionais de saúde do Nepal.

E na Austrália, onde minas, hospitais e bares estão com falta de mão de obra após quase dois anos de fronteira fechada, o governo pretende praticamente dobrar o número de imigrantes autorizados a entrar no país em 2022.

A pandemia levou a mudanças importantes na mobilidade global. Ela desacelerou a migração de mão de obra. Isso criou mais competição para os “nômades digitais” à medida que mais de 30 nações, incluindo Barbados, Croácia e Emirados Árabes Unidos, criaram programas para atrair trabalhadores que usam tecnologia móvel.

E levou a uma flexibilização geral das regras de trabalho para estrangeiros que já haviam se mudado. Muitos países, incluindo Bélgica, Finlândia e Grécia, concederam direitos trabalhistas a estrangeiros que chegaram com visto de estudante ou de
outro tipo.
Alguns países, como a Nova Zelândia, também prorrogaram vistos detrabalho temporário indefinidamente, enquanto a Alemanha, com sua nova Lei de Imigração, acelerou o processo de reconhecimento de qualificações profissionais estrangeiras.

No Japão, um país que envelhece rapidamente e que tradicionalmente
resiste à imigração, o governo permitiu que trabalhadores temporários
mudassem de empregador e mantivessem seu status.
Essas medidas – listadas em um novo relatório da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre as perspectivas
da migração global – equivaleram a alertas precoces de desespero do
mercado de trabalho. Pandemia estimulou processo de abertura

A investida global para atrair estrangeiros com habilidades para trabalhar,
especialmente aqueles que se enquadram em algum lugar entre o trabalho
braçal e um PhD em Física, tem o objetivo de suavizar a recuperação
irregular trazida pela pandemia.

As medidas contra a Covid-19 levaram muitas pessoas a se aposentar,
pedir demissão ou simplesmente não voltar ao trabalho.
Mas seus efeitos são mais profundos. A pandemia tornou o desequilíbrio demográfico da humanidade mais óbvio — nações ricas que envelhecem rapidamente produzem poucos novos trabalhadores, enquanto países com um excedente de jovens muitas vezes não têm trabalho para todos.
Novas abordagens para essa defasagem podem influenciar o debate mundial sobre a imigração. Os governos europeus continuam divididos sobre como lidar com novas ondas de requerentes de asilo.
“A Covid é fator acelerador de mudança”, afirma o chefe de pesquisa de migração internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Jean-Christophe Dumont. Os países tiveram que perceber a importância da migração e dos imigrantes.
Quando chegou a hora da reabertura, menos pessoas pareciam se importar com a redução dos níveis de imigração, como mostrou uma pesquisa no Reino Unido no início deste ano. Então veio a escassez de mão de obra.

Na lista de funções que estão em falta aparecem açougueiros, motoristas, mecânicos, enfermeiros e funcionários de restaurantes, pintores, guias, entre outros.

Especialista aponta riscos de ir morar fora do País

O sonho de trabalhar no exterior pode se tornar um grande pesadelo se a distância e o isolamento surgirem como dificuldades de assimilar a cultura, tanto do país, quanto da própria empresa.
O especialista em educação internacional e carreira da IE Intercâmbio, Luis Paulo Jacobsen, afirmou que, se o profissional for atuar de forma autônoma e isolada, pode ocasionar em uma dificuldade para que ele evolua no plano de carreiras, em comparação com um profissional inserido no contexto da empresa.

Jacobsen: cuidados necessários Foto: Divulgação

Ele explica que em países de clima frio, como por exemplo Canadá e Inglaterra, o candidato pode não se adaptar. “O frio, a falta da família e o modo de viver do brasileiro, que é um povo mais festivo, latino e acolhedor e menos fechado, podem pesar na decisão do candidato de querer abandonar o país e retornar para casa”, pontuou.

Jacobsen detalha que, em alguns casos, os programas de mobilidade internacional não são cumpridos à risca como deveriam ser, gerando desgaste para o profissional e ineficiência para a empresa.

“É importante lembrar que antes de assinar o contrato, o candidato precisa estar ciente da sua jornada de trabalho para alinhar o horário, caso ele queira conciliar outras atividades fora da empresa com sua rotina profissional”, disse.
Para quem trabalha de forma remota no exterior, o especialista lembra que as alocações nesse modelo são geralmente delimitadas por demanda ou projeto, por tempo determinado. “Isso é um ponto negativo ao profissional que deseja estabilidade por longo prazo”, informou o especialista.
Ele ressaltou que o desafio de trabalhar em projetos de desenvolvimento é grande, e, remotamente, pode ser ainda maior.
“A área de tecnologia está cada vez mais responsável por gerar inovação nos negócios e tem papel estratégico, sendo considerada missão crítica dentro das empresas. O profissional desta área precisa criar e recriar soluções sempre otimizadas, performáticas e de alto impacto”, salientou.
Ainda assim, Jacobsen acredita que trabalhar no exterior enriquece ocurrículo e faz o candidato aprender um ou até dois idiomas