Tristeza e indignação marcam enterro de menina de cinco anos morta por envenenamento

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Muito abalado, o pai da criança, o comerciante Robson Lira Duarte, 46, ficou o tempo todo ao lado do caixão da filha

Familiares no velório da menina  Raissa dos Santos Duarte no Cemitério de Santo AntonioA tristeza de parentes e amigos marcou o velório de Raíssa dos Santos Duarte, 5 anos, envenenada pela mãe na noite de segunda-feira, em Vale Encantado, Vila Velha.
Muito abalado, o pai da criança, o comerciante Robson Lira Duarte, 46, ficou o tempo todo ao lado do caixão da filha. Junto com ele estavam as tias da menina e o irmão, de sete anos, que acariciavam o rosto dela.
Familiares de Aline dos Santos Santana, mãe de Raíssa, também compareceram ao velório para se despedir. A avó materna da criança lamentou diante do corpo da neta.
Raíssa foi enterrada por volta das 11h30 no Cemitério de Santo Antônio, em Vitória. Em cima do corpo dela foi colocada uma boneca, que segundo a família, era a preferida da garota.
Na noite de segunda-feira, Aline Santana deu um líquido rosa para Raíssa beber, por volta das 22 horas. A menina morreu pouco tempo depois. A mãe saiu de casa e pegou um táxi, no terminal do Ibes. Ela seguiu pela Terceira ponte, onde mandou o taxista parar e se jogou.
Segundo relatos de familiares de Raíssa e de vizinhos, Aline costumava maltratar os filhos. Porém, como a menina era mais ligada ao pai, a mãe procurava atingir o ex-marido maltratando mais a filha.
O pai vinha tentando obter a guarda dos filhos havia cinco anos. No entanto, os pedidos eram sempre negados pela Justiça.
Na tarde desta quarta-feira (5), a reportagem tentou entrar em contato com o Tribunal de Justiça, mas o Judiciário não trabalhou devido ao feriado.
Parentes dizem que mãe não envenenou a filha
Para a familiares da dona de casa Aline dos Santos Santana, 30, a mãe não envenenou a filha. A família acredita que Raíssa dos Santos Duarte, 5 anos, ingeriu o líquido por um descuido de Aline, que teria preparado a bebida para se matar.
Segundo uma sobrinha de Aline, uma jovem de 20 anos, a tia não seria capaz de matar a própria filha. De acordo com ela, as duas eram muito próximas, e a mãe amava os filhos. A jovem relatou ainda que Aline não agredia os filhos e que a Justiça não falhou em manter a guarda com a mãe.
“Nunca vi minha tia gritar com meus primos. Ela cuidava muito bem deles, era uma boa mãe. Se ela fosse esse monstro que estão falando que era, ela não teria a guarda deles”, declarou.
Para a família, Aline já estava planejando se matar, pois tinha muito medo de perder a guarda dos filhos.
“Ela falava que sofria muito com essa briga na Justiça, por causa da guarda das crianças. Uma vez comentou que tinha pensado em se matar. Acredito que o objetivo dela naquela noite era esse. Se ela quisesse mesmo matar os filhos, teria matado os dois e não deixado vestígios. O que a gente acha que aconteceu é que, ao ver que Raíssa tinha bebido o veneno, minha tia se sentiu culpada, entrou em desespero e se jogou no mar”, contou.
O corpo de Aline dos Santos Santana foi enterrado na tarde de ontem, separado do corpo da filha. A dona de casa foi enterrada no Cemitério de Maruípe, em Vitória.