Um olhar diante o desenvolvimento e a vida.

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Início este texto falando um pouco da localização do Município de Águia Branca, é daqui deste recanto que dou início a minha inspiração de hoje, escreo sentado no terraço de onde tenho esta linda vista e paisagem diante de meu olhar. Águia Branca é um pequeno município localizado na Região Noroeste do Estado do Espírito Santo com distância de 220 km da capital do estado. Tem a maioria de sua população residente na zona rural, o município é rico em cultura, colonizado por poloneses, italianos e afros. No entanto antes ainda de sua colonização já se encontrava na região a margens do Rio São José os índios botocudos.

A cidade atravessa nos últimos anos grande desenvolvimento e urbanização, este mesmo desenvolvimento por outro lado quando alcança a disseminação das problemáticas sociais como o tráfico de drogas, vem de contraponto as herança culturais do município que são alicerces de formação e que contribuem significamente ao combate contra as problemáticas que também alcançam o desenvolvimento, de certo isto são peculiaridades de todo progresso. Com facilidade podemos pensar um modelo de desenvolvimento sustentável e com qualidade que não contenha as problemáticas que nossas cidades atravessam, o problema está na aplicação que esbarra sempre nos grilhões do sistema que nos encarcera.

A verdade, é complexo definir um modelo de desenvolvimento, acredito veemente que a cultura é alicerce central de um bom desenvolvimento, e que o progresso e o direito ao voto são incompletos senão estendidos aos bens culturais.

Registra-se que os municípios entorno de Águia Branca são os que mais tiveram os índices de homicídios aumentados e que Águia Branca foi o município da região que menos cresceu o índice de homicídio e fatalidade. As fatalidades por aqui ocorrem mais por acidentes de trânsito e ou por conta da saúde.

Ainda assim, no que tange a formação em específico da juventude, nota-se uma grande diferença da qualidade e enraizamento desta formação mesmo em pouco tempo, digamos que os jovens de hoje já não tem a mesma formação dos jovens de 04 anos atrás. Talvez pelo número crescente e volumoso de informações seja pela internet  ou pelas vias de comunicação disponíveis, a cada vez mais nos tornamos ansiosos, pensamos rápido sem degustar cada informação. Fato é que tudo isso reflete tanto na formação como no desenvolvimento futuro tanto do município como da população.

O sol que nasce entre as montanhas clareando os três pontões é o mesmo há décadas e séculos, mas de certo a cada ano o Município sofre mudanças e mutações, e como toda transformação há o lado bom e ruim.

É neste aspecto que buscamos a formação de uma olhar diante nossa realidade, um olhar diante do passado e história da população aguiabranquense, que possa este olhar encontrar uma interação entre o passado, o presente e o futuro.

Que o futuro possa ser algo além do que os nossos olhos possam ver, mas que os nossos sonhos possam enxergar… Um município com um desenvolvimento democrático a todos os segmentos sociais e culturais, com um agroturismo forte nesta Região dos belos pontões capixabas, com oportunidade e perspectiva para todos mediante justiça social e igualdade de oportunidades.

Eu procuro pensar na região quando ainda era apenas ocupada pelos índios botocudos, meu pensamento viaja e meu imaginário pensa na saga e luta dos imigrantes que aqui chegaram enganados por um contrato de que aqui haveria vias e estradas com seis metros de largura quando no entanto tiveram que desbravar as matas.

As matas? Resistiram, mas já quase não existem, e as pedras continuam todo este processo de resistência, no entanto o rico granito de nossa região está sendo levado como se foi à madeira, os Pontões assim como nossa herança cultural resiste, mas até quando? E daqui um século? Nós enquanto seres humanos também serão sinônimos de resistência? Será mesmo que dentro deste grilhão de sobrevivência nos estaremos aqui daqui a 100 ou 200 anos?

Uma professora me comentou quando eu estava produzindo o documentário “Os caminhos do Rio São José”: “É preciso refletir os nossos passos e nossa relação com o meio ambiente porque se não pensarmos nisso, em um futuro próximo nossas matas estarão gritando e nós seremos apenas lágrimas de sangue a correr por onde um dia correram os nossos rios.”

O registro de nosso olhar busca através do audiovisual e a formação do olhar tais questionamentos na busca de um estudo do cotidiano e da realidade.

Certo é que este recanto entre os pontões tem grande potencial sustentável e ainda não explorado. Tem uma juventude com grande capacidade, porém carece de incentivo, oportunidade, e sem uma formação de seu olhar acaba caminhando por outros caminhos.

Eu diria: “A estrada é longa meus amigos, não basta apenas sonhar, ter um projeto e um recurso para desenvolvê-lo. Cada manhã é mais uma batalha, mais uma guerra que se trava. Sim… A estrada é longa, mais longa do que parece. E nós, continuamos caminhando.”

Por Luciano Guimarães de Freitas
Cineclubista, Produtor Cultural, Poeta.

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