Ausência de fundador do Facebook em encontro preocupa investidores, empresa é avaliada em US$ 100 bilhões.

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Zuckerberg faltou primeira grande reunião com analistas e executivos.
Rede social prepara IPO, que pode avaliar empresa em US$ 100 bilhões.

 

Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, durante conferência em San Francisco, na Califórnia (Foto: Kimberly White/Reuters)

 

O cofundador e presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, deixou a situação clara ao faltar ao primeiro grande encontro da rede social com analistas e executivos financeiros, na semana passada. A reunião foi a primeira de muitas que acontecerão no período preparatório de uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inlgês) que deve avaliar a empresa em perto de US$ 100 bilhões.

O desinteresse de Zuckerberg não é raro entre a elite das companhias do Vale do Silício, mas pode se tornar um problema junto aos investidores devido ao imenso controle que ele exerce sobre o Facebook por meio de ações especiais.

“Não achamos que ele deva se esconder dos investidores”, disse Carin Zelenko, diretora do departamento de estratégias de capital do International Brotherhood of Teamsters, sindicato cujos fundos de pensão e benefícios têm mais de US$ 100 bilhões investidos nos mercados de capital.
“Ele quer que os investidores lhe confiem seu dinheiro, e que confiem nele, pessoalmente, como o homem que criou a empresa e vai liderá-la e controlá-la. Por isso, deveria prestar contas às pessoas que estão investindo”, acrescentou.

Ausência esperada
De acordo com Zelenko, o sindicato enviará uma carta aos administradores dos diversos fundos do Teamster precavendo-os quanto ao risco, em longo prazo, de investir no Facebook, em função da estrutura de governança corporativa “antinvestidor” que a companhia adotou. Duas pessoas que participaram da reunião do Facebook em 19 de março comentaram a ausência do jovem e disseram que a expectativa era a de que ele, no mínimo, marcasse presença no evento.

 

Um analista perguntou se Zuckerberg estaria mais envolvido no futuro. A resposta da empresa foi a de que a expectativa quanto a isso deveria ser baixa, de acordo com uma fonte que participou da reunião. “Os investidores são loucos se pretendem se envolver com uma empresa na qual o cara encarregado nem mesmo finge ligar para o resto dos acionistas”, disse Greg Taxin, da Spotlight Advisors, uma firma de investimento que não planeja comprar ações do Facebook. “Parece uma receita para o desastre”.

Zuckerberg tem o apoio de uma experiente equipe executiva, incluindo a vice-presidente operacional, Sheryl Sandberg. Ex-executiva do Google, Sheryl tem um estilo público polido e conhece bem as questões financeiras. Muitos esperam que ela se torne o rosto do Facebook junto aos investidores, quando a empresa abrir o capital.

Isso parece confortar algumas pessoas em Wall Street. “Eu sempre gostaria de ter acesso ao CEO (presidente-executivo), mas o melhor uso de seu tempo é administrar a companhia”, disse Dan Niles, executivo-chefe de investimentos da AlphaOne Capital Partners. “Eu me preocuparia com o CEO que gasta muito tempo falando com Wall Street e com a imprensa”.